segunda-feira, 4 de maio de 2009

Valha-me Deus

Depois de aqui se ter falado de Concha Buika é impossível não voltar a ver e rever e ver e rever... esta versão de "Valgame Dios". Conheci-a graças ao meu companheiro de músicas e dedicado comentador Rui. A versão original está no álbum "María", de Niña Pastori, mas é esta interpretação, em dueto com Falete, que me deixa absolutamente fascinado.

A tensão que por aqui anda à tona - nas vozes, palmas, guitarra e cajón - é de uma reserva quase aflitiva.

A interpretação, a concentração e a gestualidade são fabulosos (repare-se na expressão de ambos e na alteração da face de Falete, logo antes da sua entrada).

A expressividade dos acordes da guitarra e os uníssonos das vozes são de uma perfeição absoluta.

Para ver e rever.

Koniec

Consigo fomos crianças bem tratadas.

Obrigado, Vasco.







Vasco Granja (1925 - 2009)

domingo, 3 de maio de 2009

Coisas simples

LonnieSmithEra uma vez um rapaz que nasceu e cresceu em Buffalo, New York. Desde cedo habituado a ter música à sua volta, começou por cantar em grupos locais. Mas, após algum tempo, o rapaz começou a alimentar o fascínio e a esperança de um dia tocar um instrumento.

Então fez assim:

"I used to sit in Art Kubera's music store in Buffalo every day until closing time. One day he said 'Son, why do you sit here until closing time every day?' I said 'Sir, if I had an instrument I could make a living.' One day he closed the store and took me in the back, and there was a Hammond B-3 organ. My eyes lit up. He said 'If you can get this out of here, it's yours.' I didn't know how to play it. This man took a chance on me. Whatever he saw, he saw it. And I had this brand new Hammond which cost thousands of dollars then. And I was doing all of this by ear, 'cause I didn't read. I just picked up the instrument naturally."

Pronto. Simples, não é? Começar uma carreira que leva alguém a ser um nome de referência no jazz e um dos pouquíssimos no seu instrumento, é pegar e carregar um "caixote" que pesa mais de 200 kg e que exige o domínio simultâneo do teclado e de uma pedaleira de baixos, isto para além de dezenas de botões, chaves de registos e pedais.

Depois é só (?) levá-lo para casa, arranjar um cantinho para o pôr e começar a tocar. Naturalmente, como ele diz. Isto, para não falar de passar depois a andar com ele de espectáculo em espectáculo.

Foi basicamente isto o que fez Dr. Lonnie Smith. Bom, deixem-me mas é ouvir este tema, que só esta conversa já me deixou cansado.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

AEIOU

Quando estamos numa capital do conhecimento temos que contar que, a qualquer momento, possa ocorrer um aumento súbito do nosso capital de conhecimento.

aeiou

Foi o que já hoje me aconteceu nesta nossa Coimbra.

Lusa apenas.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Abril no Chimico

(fj) Coimbra, (25 de) Abril de 2009

terça-feira, 28 de abril de 2009

If they wanted to come they would (Jumbo landing)

(...) all travelers should think twice before purchasing souvenirs made from animal tusks, skins or other body parts. For more information, please visit ifaw.org (International Fund for Animal Welfare).

Às vezes também fico assim!




Mas não no sentido literal, esclareçamos. Acontece-me quando percebo que andei a passar ao lado de algo que vale a pena e só mais tarde venho a descobrir.

Aconteceu-me de novo, agora com esta pérola negra, Concha Buika. Só há dias a encontrei, num dueto com Mariza, o que me fez conhecer esta nova face do flamenco.



É verdade, às vezes também fico assim. Mas, como diz a canção, depois fico contente.

domingo, 26 de abril de 2009

El Sistema

Ontem, era no Coliseu dos Recreios que eu devia ter estado, a ver e ouvir Gustavo Dudamel a dirigir a Orquesta Sinfónica Juvenil Simón Bolívar.

Desta vez, o meu amigo Zé distraíu-se e não soubemos disto em devido tempo. Por isso tive de me ficar por aqui, a ver tubes. Ou seja, a ver o Dudamel por um canudo.

Neste caso, orquestra e maestro nos "The Proms", em plena exultação musical (após 3'30'' de aclamação).



Aqui, uma explicação acerca do fenómeno 'Gustavo, The Great' e "El Sistema".



E, a confirmar que os milagres não acontecem por acaso nem à custa de Magalhães tipo "toma-lá-e-agora-cria-te...", o responsável maior por tudo, José Antonio Abreu, o criador de "El Sistema".

sexta-feira, 24 de abril de 2009

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A arte do arranjo

(na sequência do post anterior, com “Letter From Home”, de Pat Metheny/Lyle Mays, pela Bob Curnow's L.A. Big Band)

(músicas, a anterior e a que segue, para ouvir generosamente alto)

Decorreu já um considerável espaço de tempo desde as últimas vezes em que ouvi os álbuns dos vários grupos de Pat Metheny, lançados entre meados dos anos 80 e o início dos anos 90. Com sucessivas formações diferentes, cada álbum desta fase proporcionou, a mim e a uma legião de seguidores, horas sem conta do mais puro deleite (isto, não contando com os primeiros discos editados com as formações iniciais).

Ouvi-los – e tocar sobre eles – repetidamente, do princípio ao fim, fez-me conhecer-lhes a maior parte dos detalhes e a sua gigantesca complexidade harmónica, melódica e rítmica.

Ao aperceber-me da existência de uma big band - Bob Curnow's L.A. Big Band - com um CD chamado “The Music of Pat Metheny & Lyle Mays“, agitei-me de curiosidade e cepticismo. Um pouco como o próprio Pat Metheny:

"I have to admit I was really touched by the whole thing when I heard it. I didn't quite know what to expect, and I was a bit apprehensive, but when I heard it -- yeah !! I felt Curnow's band got the vibe right." - Pat Metheny

Uma coisa é o carácter orquestral – e sinfónico até, como no caso do álbum “Secret Story” - de grande parte das composições de Metheny/Mays. Outra é arranjá-las para uma big band com 20 elementos, mantendo o bom gosto e respeitando a complexidade dos originais.

Foi o que fez um veterano da orquestra de Stan Kenton, Bob Curnow, arranjador e reputadíssimo educador na área do jazz. Curnow dirige várias formações de jazz bem como orquestras sinfónicas, e estabeleceu a sua própria loja e catálogo de arranjos e música escrita. Os resultados de uma tarefa como aquela a que se propôs percebem-se em faixas como esta.



“The First Circle”, de 1984, é um exemplo do talento de Bob Curnow como arranjador:

"This particular arrangement, acclaimed as one of the best big band arrangements ever done, is rhythmically complex with alternating 12/8 and 10/8 bars in 3-2-3-2-2 and 3-3-2-2 patterns. There are constantly shifting meters and sounds from the various sections, creating an intellectually stimulating tone poem of continually increasing waves, with a driving modern beat beneath all."

Notável a forma como Curnow substitui os timbres do original por texturas da orquestra que tem à sua disposição. Ver como ele resolveu a complexa parte de guitarra do original que decorre entre os 1’10’’ e 2’25’’, foi a minha primeira grande curiosidade. Depois aparece o crescendo orquestral a culminar no solo que, no original, é do piano, e aqui é muitíssimo bem desempenhado por um sax soprano.

Tudo isto, nesta faixa e nas restantes do disco, decorado a contraponto com as texturas das várias secções da Bob Curnow's L.A. Big Band.

Faixas no disco, agrupadas por ordem cronológica dos CD’s de origem:

The First Circle (1984)
03. The First Circle
06. If I Could

Still Life (Talking) (1987)
08. Minuano (Six Eight)
01. (It's Just) Talk
11. In Her Family

Letter from Home (1989)
12. Have you Heard
10. Every Summer Night
09. Dream of the Return
05. Are We There Yet
04. Letter from Home

Secret Story (1992)
02. Always and Forever
07. See the World

Prelúdio de um post



Isto não é um blindfold test. É apenas a minha impaciência em vos passar algo que me chegou e me deixa maravilhado.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Lura




Três discos editados e só agora a conheci.



O quarto disco acaba de ser lançado e está no 13º lugar do top europeu de world music.




Um disco - "Eclipse" - de produção cuidadíssima e com variedade de estilos mais do que suficiente para agradar a muitos. Para quem, como eu, não relacionava o nome Lura com coisa nenhuma, aqui está esta pista.

Lura - Ponciana

domingo, 19 de abril de 2009

Jóia por detrás da luz

(fj) Óptica do farol - Cabo Mondego, Março de 2009

quarta-feira, 15 de abril de 2009

The Next Big Thing?

Quando ele nasceu já eu ouvia jazz há muito. Só que ele não perdeu tempo.

Aos 4 anos começou a aprender piano. Aos 8 abriu um espectáculo para o David Benoit. Aos 14 editou o primeiro CD. Aos 15 juntou-se ao corpo lectivo do Stanford Jazz Workshop na Universidade de Stanford. E eu continuei a ouvir jazz.

Após discos sem a visibilidade das editoras maiores lançou "Lucky to Be Me", em 2006 (Concord Records, com Christian McBride, Lewis Nash, James Genus e Billy Kilson). Deste álbum resultaram nomeações para dois grammys (“Best Instrumental Composition” e "Best Jazz Solo Performance").

O CD é mais do que bom e é suficientemente variado para tornar qualquer sugestão difícil. Fica aqui um espectacular “Giant Steps”! Imaginação e recursos a lembrar, diria eu, Chick Corea. Não apenas nesta mas também em outras faixas, em especial quando recorre ao Fender Rhodes.



Chama-se Taylor Eigsti e ainda há pouco tempo a mãe o acompanhava para dar concertos e entrevistas.

Para quem nasceu em 1984 não vai mal. Eu também vou andando.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Bandas sonoras destes nossos dias

É impossível resistir a discos assim.











Enrico Pieranunzi, Marc Johnson, Joey Baron.