quinta-feira, 12 de março de 2009

O Condoninho da Renata

Eu, que nunca gostei de "big brothers", confesso, desta vez converti-me! Ando há vários dias a espreitar a vida de uma família, através de uma webcam que lhes puseram em casa.

Às vezes estou muito bem e de repente, olha, deixa-me lá ir ver como é que eles estão – e lá vou eu dar uma de voyeur.

A culpa disto é da FCCN, da REN, do Público e da RTP, entre outros, ao lançar esta ideia de acompanhar em directo, 24/24h, a vida de um casal de cegonhas, desde a incubação e nascimento de crias, até à sua eventual migração para outras bandas.

O ninho está instalado no cimo de um poste de muito alta tensão, ali para os lados de Vila Franca de Xira, e nele habita um casal de cegonhas-brancas.

Se tudo correr bem, lá para Abril nascerá a Renata, parece que assim se vai chamar.

A ver vamos. Será que vem no bico de uma cegonha?

terça-feira, 10 de março de 2009

Footprints

Andamos muitos a seguir-lhe as pisadas, há muitos anos.

O que com ele aprendemos está ainda por perceber e a felicidade pura que nos deu (e dá) não se esgota nem cabe aqui.

Amanhã continuaremos a seguir-lhe as pisadas, até ao Porto.

Wayne Shorter 4et
11 de Março, Casa da Música, Porto
Danilo Perez (p), John Patitucci (cb), Brian Blade (bt)

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domingo, 8 de março de 2009

Sehr langsam

Hoje irei adormecer ao som deste Adagietto, quarto andamento da Sinfonia nº5 de Gustav Mahler.

Irei fazê-lo, tal como o pediu Mahler para este andamento, muito lentamente.

Se alguém me quiser acompanhar, faça o favor.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Deslumbramentos – Trilogia - 1 de 3, começando pelo fim


Ah, pois, a tal voz... Mônica Salmaso.


Directo ao assunto: a qualidade da voz de Mônica Salmaso, a consistência e o requinte da obra que já reuniu (tem 5 CD's em nome próprio, 1 CD em parceria com Paulo Bellinati, 2 CD's com a Orquestra Popular de Câmara, para além de inúmeras participações) são monumentais!

Há três meses atrás não tinha sequer ouvido falar nela (conheci-a através do documentário "Vinicius", de Miguel Faria Jr.). Hoje, admito ou subscrevo várias das opiniões da crítica: “sheer beauty”, "gorgeous, quintessentially Brazilian voice", "one of the best voices to come out of the prolific Brazilian music scene in a long time", "the most pure singer in Brazil today". E outras do género.

Sejamos francos, alguém consegue ainda estar indiferente quando chega ao último acorde do piano nesta versão de “Ave Maria No Morro”?



Mônica Salmaso nasceu em 1971, em São Paulo. Ganhou vários prémios de relevo no Brasil, entre os quais vários como melhor voz a nível nacional. O primeiro CD da sua carreira é precisamente “Afro-Sambas” de 1995, uma obra de qualidade e de interesse enormes. Em parceria com o enorme guitarrista que é Paulo Bellinati, este álbum reune pela primeira vez todos os afro-sambas compostos por Baden Powell e Vinicius de Moraes.

De disco em disco, Mônica Salmaso ilustra com absoluto requinte os inúmeros géneros musicais do Brasil. A sua obra está transformada num verdadeiro arquivo musicológico de notável rigor e elegância – desde a música nordestina, os xotes e os forrós, até às bossas, sambas e choros – enfim, um sampler perfeito do que é o tesouro musical brasileiro.

No álbum “Noites de Gala, Samba na Rua”, de 2007, Mônica percorre desta vez uma boa parte do cancioneiro de Chico Buarque. A competência dos músicos que a acompanham levam-na a reconstruir superiormente os temas nossos conhecidos. Como este, “Construção”.



Desde que a conheci, Mônica Salmaso deu-me a conhecer grupos como a Orquestra Popular de Câmara ou o Quinteto Sujeito a Guincho. Mas acima de tudo continua, em nome próprio, a proporcionar-me horas a fio de puro deslumbramento musical. Como aqui, em “Joana Francesa”, imperdível!



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(e a fechar, é impossível não ver esta delícia de apresentação da banda)

quarta-feira, 4 de março de 2009

Deslumbramentos – Trilogia - 2 de 3, começando pelo fim

Subindo mais um lugar na classificação, chego à descoberta mais singular que recentemente fiz.

Acerca do clarinete há um aspecto conhecido dos músicos e que é particularmente temido pelos próprios clarinetistas. O guincho!

O guincho do clarinete é uma ameaça que paira em permanência sobre a reputação de qualquer clarinetista. Ocorre de forma intempestiva e quase sempre imprevisível. O guincho resulta da conjugação do accionamento das diferentes chaves do instrumento com o sopro que é aplicado sobre a palheta. Diz-se que nem o próprio Benny Goodman lhe escapou, tendo uma vez "guinchado" – certamente de forma brilhante – ao interpretar "Rhapsody in Blue" com a orquestra da NBC, a convite do maestro que então a dirigia, Arturo Toscanini. Mauzito, portanto...!

A ideia de chamar “Sujeito a Guincho” a um grupo de clarinetes é por isso apropriada. E assim cheguei ao Quinteto Sujeito a Guincho, uma vez mais por via da TAL voz, a tal de quem falarei mais tarde.

Aqui está o tema "Cidade Lagoa", um samba-choro que terá sido composto na década de 50 ou no início da década de 60, cuja letra se desenrola ao sabor da música com uma deliciosa ironia. Ao ouvir este arranjo pela primeira vez tive de parar, escutar e perceber que se trata apenas de cinco clarinetes e uma voz!



Não consigo escutar esta versão sem parar para perceber a complexa beleza do arranjo e sem esboçar um sorriso perante os sucessivos comentários bem-humorados e jocosos dos clarinetes. Um portento!

Já lhes conheço vários arranjos interessantíssimos (um deles imitando o som de pipocas a rebentar dentro de um microondas - 'The Microwave Popcorn'). Mas vale a pena referir aqui mais um, o arranjo feito pelo grupo para o Hino Nacional do Brasil.

Se todos os hinos nacionais assim fossem bem tratados, que prazer seria assistir a cerimónias oficiais!



(ahhh... pois, a tal voz... a ela aqui voltarei)

terça-feira, 3 de março de 2009

Deslumbramentos – Trilogia - 3 de 3, começando pelo fim

Tive em 2008 um deslumbramento musical que, como quase sempre acaba por acontecer, me conduziu a outras descobertas. Neste caso a outras duas. Falarei de todas, a partir do fim, numa espécie de anúncio dos três melhores classificados.

Deste modo, começo por aqui trazer a Orquestra Popular de Câmara.

A Orquestra Popular de Câmara é um agrupamento de músicos de formação clássica, baseados em São Paulo, cuja gama de instrumentos varia entre os clássicos da orquestra (flautas, piano, violoncelos, contrabaixo) e os da música tradicional brasileira (acordeão, viola caipira, bandolins, toda a gama de percussões). Num total de 13 elementos há, a juntar a estes, uma voz absolutamente excepcional. Mas desta falarei mais tarde!

No repertório e na forma de o tocar existe muito de Gismonti e Hermeto. Excelentes indicadores, portanto. Existe também outra referência - Maria Schneider Orquestra & Luciana Souza – à qual, graças à TAL voz, conjugada com a orquestra, é impossível não chegar.

Em resumo, a Orquestra Popular de Câmara mistura com elegância a erudição e um tremendo trabalho de pesquisa e de (re)arranjo dos temas e géneros tradicionais brasileiros. Mas não só, como aqui se demonstra com o clássico ‘Blackbird” de Paul McCartney.

Beleza recriada!



(ahhh... e a tal voz... a ela aqui voltarei)

sábado, 28 de fevereiro de 2009

Engenho e arte

Na altura vi e revi o original, que é notável.



Ontem, o meu sempre amigo TP 060 recordou-mo e fez-me divertir com as respectivas paródias. Imperdíveis.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A Night of Wonder

Hoje, a tocar ao vivo na Casa Branca, estiveram Stevie Wonder e Esperanza Spalding.

Stevie Wonder recebeu o "Library of Congress's Gershwin Prize for Popular Song".

Tocaram, ele, “Signed, Sealed, Delivered, I’m Yours” e ela, “Overjoyed”.

Mais um 'sign 'o' the times'.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O todo e as partes

Hieronymus Bosch, “The Garden of Earthly Delights
(detalhe do painel direito, “
The Hell”)















- BPN, Freeport, BPP, relatórios da OCDE, influências, enriquecimentos súbitos.
- O Ministério Público poupa o Magalhães à sátira no Carnaval de Torres Vedras.
- Professores são ordenados a participar no Carnaval nas ruas de Paredes de Coura.


Cada caso será discutível e terá contornos particulares a ajudar à explicação. Isto se houver – e há – pessoas preocupadas em arranjar-lhes explicações.

Mas quando se olha para o todo é impossível conter a náusea, ou não morder a língua para continuar calado.

É Carnaval e o todo é pior do que a soma das partes.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Bi-coastal

Como de costume, em mais um encontro de amigos, a conversa foi parar a álbuns, autores e músicas que nos marcaram. Desta vez acabámos a falar de Peter Allen, cantor, pianista, compositor e crooner / entertainer.

E, claro, a conversa terminou a perguntarmo-nos o que será feito dele... ainda canta, será que morreu, estará reformado a viver na Florida...?

Bom, rapidamente para o final, sim, ele morreu em 1992, de complicações causadas pela SIDA.

Peter Allen nasceu na Austrália em 1944 e foi descoberto por Judy Garland em 1964, no bar de um hotel em Hong Kong. Convidado a ir para os Estados Unidos, aí passou a viver como protégé de Judy Garland e íntimo da sua família, tendo vindo a casar-se com a sua filha, Liza Minnelli, em 1967.

A seguir ao divórcio em 1974, Peter Allen alargou a sua faceta de criador de espectáculos de cabaret e Broadway, criando álbuns e temas absolutamente soberbos como "Don't Cry Out Loud" (gravada por Melissa Manchester), “I Honestly Love You” (gravada por Olivia Newton-John e que atingiu o primeiro lugar de vendas nos Estados Unidos) ou participando com Burt Bacharach na autoria de "Arthur's Theme (The Best That You Can Do)", cantado por Christopher Cross.

Mas o tema de Peter Allen que aqui proponho é “Bi-coastal”, do super-álbum de 1980 com o mesmo nome, produzido por David Foster e gravado com uma verdadeira constelação dos melhores músicos de estúdio: David Foster, Steve Lukather, Jeff Porcaro e Mike Porcaro (3 membros chave dos 'Toto'), Gary Grant, Jay Graydon, Jerry Hey, Bill Reichenbach, Carlos Vega, Larry Williams, entre vários outros.



Bi-coastal” trata do dilema de viver dividido entre duas costas e duas cidade (N.Y.C. e L.A.), mas é sem dúvida também uma alusão de Allen à sua própria bissexualidade.

All those girls in TV movies,
All those boys on Broadway,
When you can't make up your mind,
You know you'd go either way


Na verdade, Peter Allen era exuberante em palco mas reservado quanto à sua vida privada. A seguir ao divórcio de Liza Minnelli, Allen passou a viver com aquele que foi o seu companheiro até à morte em 1984, Gregory Connell, um modelo do Texas que tinha ido viver para Nova Iorque e que acabou por se tornar o responsável pelas luzes nos espectáculos de Allen.

Bi-coastal, when both are so much fun,
Why do you have to pick one

Pela sua qualidade, “Bi-coastal” é um tema que desafia a hegemonia das produções de Quincy Jones da altura, para os temas de Rod Temperton, Michael Jackson ou George Benson.

Este foi um tema meu favorito ao longo de vários anos e que quase ficara esquecido até hoje. Da recordação de Peter Allen ficam-nos, para além de um musical sobre a sua vida, “The Boy from Oz” várias excelentes músicas como esta.


Nota: Não fiz aqui referência a outros dois temas que vale também a pena mencionar. Para além do óbvio "I Go To Rio", Peter Allen deixa ainda outra música que ficará célebre – "I Still Call Australia Home" – por ser usada em anúncios da Qantas Airlines e por se ter convertido numa espécie de hino dos Australianos a viver pelo Mundo. Continua a defender-se na Austrália que o actual hino nacional deveria ser substituído por este tema.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Aforismos

I told the doctor I broke my leg in two places. He told me to quit going to those places. - Henny Youngman

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Não paro

Já fui a tanto sítio, já vim, fiz de tudo e não paro. Ouvi-o pela primeira vez, pensei que nem tinha muito a ver comigo e, afinal, não paro de o ouvir.

Oren Lavie / Her Morning Elegance (The Opposite Side of the Sea)

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

All the answers

Talento de sobra e alguém de quem gosto bastante.

Curiosamente, também aqui, nos TED Talks.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Classics In Lego

Quem não se lembra disto?

Henri Cartier-Bresson
Behind the Gare Saint-Lazare (1932)









Disto?

Eddie Adams
Execution of a Viet Cong prisoner in Saigon (1968)




Ou disto?

Robert Capa
D-Day Landings (1944)





Evidentemente, clássicos da fotografia do século XX que se transformaram em ícones.

E agora, que tal estas, para variar?

© Mike Stimpson


© Mike Stimpson


© Mike Stimpson

"Classics In Lego" é um projecto de Mike Stimpson, no qual ele recria as fotos mais emblemáticas dos grandes fotógrafos do século XX... em Lego!

Originalíssimo, brilhante, e que deve ser de um gozo irresistível.


© Jeff Widener - The unknown rebel (1989) / Mike Stimpson
















© Lewis Hine Powerhouse (1920) / Mike Stimpson



© Robert Capa - Death of a Loyalist Soldier (1936) / Mike Stimpson

Também a não perder, aqui, mais fotos e detalhes acerca dos "setups" de cada uma delas.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Dédalos e Ícaros

Não sei bem o que me fascina mais, se o "Camino del Rey", ou se isto. Claro que isto tem a seu favor o sonho de Dédalo e de Ícaro, que também a mim me persegue desde a minha mais tenra (antigu)idade.

Mas, se este me fascina mais, vejo-os a ambos com semelhante grau de desconforto.


Sempre em 'full screen'.