sábado, 30 de agosto de 2008

Bona fide

Fomos poucos, menos de trezentos, os que em Outubro do ano passado pudemos ir a Tondela e assistir ao concerto (único naquela vinda a Portugal) de Richard Bona.

Este foi – não me cansei de na altura o dizer - um dos concertos mais fantásticos a que já assisti, um momento absolutamente maravilhoso (este "Suninga", por exemplo; é preciso estar-se preparado para se resistir a isto)!

(fj) Tondela, Outubro de 2007


A proximidade com os músicos (é de lá esta fotografia), o encontramos meia-dúzia de caras familiares e o facto de termos assistido a um concerto soberbo, fez com que quem lá tenha estado naquela noite se tenha sentido privilegiado e,
de algum modo, cúmplice daquele momento.

Um dos pontos altos dos concertos de Richard Bona é aquele em que ele fica no palco, sozinho com dois microfones e um “sampler”.

É desse momento esta gravação em Budapeste (e o video que ilustra a forma como ele o faz, neste caso em Barcelona), na qual constrói progressivamente a música sobrepondo diferentes "camadas harmónicas" (cheguei a contar 7, a maior parte com duas a três vozes em uníssono, criando o efeito de chorus que faz parecer tratar-se de um coro africano).



Na altura comentámos a perfeição com que ele o fez. A sós com a sua voz e o público, na sua simplicidade como pessoa, na forma franca como brinca com a audiência (e consigo próprio), na perfeição que atinge, Richard Bona é, naquele momento, a própria música.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Jacko

Goste-se muito ou pouco da sua música, o facto é que Michael Jackson, apesar de ter a sua carreira irremediavelmente afectada, continua a deter a marca do álbum mais vendido de sempre.

Goste-se muito ou pouco da pessoa, o facto é que há dois álbuns na sua discografia – “Off The Wall” e “Thriller” – que são obras de génio e que se tornaram marcos na história da música.

Bem sei que muito desse génio foi o de Quincy Jones e de Rod Temperton, respectivamente o produtor e o compositor de vários dos êxitos incluídos nestes dois álbuns – "Rock with You", "Off the Wall", "Burn This Disco Out", "Baby Be Mine", "The Lady In My Life" e o próprio "Thriller".

Mas, no que respeita à autoria das músicas, Michael Jackson leva a melhor nas contas dos dois álbuns. Num total de 19 temas compôs 8, entre os quais os fantásticos "Don't Stop 'til You Get Enough", "Wanna Be Startin' Somethin'", "The Girl Is Mine", "Beat It" e "Billie Jean".

Sempre interessante é perceber o processo criativo associado aos artistas e a esse propósito é de “Billie Jean” esta ‘home demo’, de 1981, uma das tentativas de Michael Jackson de criar letra (e melodia) para a música que já estava próxima da sua forma final.

Goste-se muito ou pouco da pessoa, Michael Jackson faz hoje 50 anos.

Ou, como li algures, pelo menos partes dele fazem.


quinta-feira, 28 de agosto de 2008

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

BR6, cinco brasileiros mais uma

Chamam-se BR6, são brasileiros e são 6, cinco homens e uma mulher. Cantam a cappella e citam como influências os Cariocas, Quarteto em Cy e, claro, Take 6.

Mas o melhor de tudo é que cantam bem, com harmonias e arranjos interessantes e bem arquitectados, em número mais do que suficiente.



Dois discos editados, o primeiro chama-se “Música Popular Brasileira A Cappella” e trouxe-lhes de imediato os já conhecidos prémios internacionais para música a capella.

O segundo álbum chama-se “Here To Stay - Gershwin & Jobim” e é dele este “Waters of March - Rhapsody in Blue”, um interessantíssimo mash-up dos dois clássicos de Jobim e Gershwin.

Está para breve um terceiro álbum. Aguardemos, portanto.


terça-feira, 26 de agosto de 2008

Duas marchas (não populares)

De dois compositores separados no tempo, estas duas marchas parecem-me possuir algo que as une. Que mais não seja, o facto de serem marchas.










Ou talvez o facto de terem sido compostas por génios.






Dois génios indispensáveis.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Hand Made

O tipo é bom. O andamento é um tudo-nada (flatu) lento, mas o tipo é bom!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

"Toots can make a stone cry, or smile, or both"

Quem colocou este video no youtube escreveu muitíssimo bem: "... Toots can make a stone cry, or smile, or both".



Quincy Jones + Toots Thielemans + WDR Big Band, é
tudo lindo, lindo. Até à dissonância do derradeiro acorde!

"Eyes Of Love", tema do filme "The Getaway", de 1972.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Veio-me um arrepio

A possibilidade da existência de fenómenos físicos e químicos como aqueles que se passam num cérebro humano, capazes de produzir uma performance como esta, é algo que não pode deixar de nos maravilhar!

(ou a capacidade da mente humana de transformar algo desinteressante num momento sublime)

Nina Simone, em 1976, ao vivo no Festival de Jazz de Montreux. (veio à rede graças à ssv).

sábado, 16 de agosto de 2008

Porque hoje é Sábado

Não tinha planeado o regresso deste blogue nem hoje nem desta maneira. Acontece que as notícias correm e algumas delas nos tocam especialmente.

Dorival Caymmi é daqueles compositores acerca dos quais as palavras são (serão) sempre escassas. Deixo-as para os que as sabem escrever melhor do que eu.

Direi apenas que ele
é um dos compositores e músicos cujo universo musical me é mais querido, que mais me serviu como pilar e que memórias mais primevas me traz.

Seja esta a minha homenagem - recordá-las hoje.


Talvez porque hoje é Sábado, Dorival Caymmi morreu.





quinta-feira, 31 de julho de 2008

- Intervalo -

Este blog vai a banhos. Já era tempo e estávamos a precisar.

Voltarei. Até lá não “postarei” nem ripostarei.

Portem-se em condições, estarei de olho em vós.

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Ante-férias

Estou em estágio de preparação para o gozo de umas (obviamente) merecidas férias.

Férias são de trabalho, não são férias para parar de ouvir música e por isso acabo de adicionar mais um disco ao meu já pequeno leitor de mp3.

Creio que se os mp3 se gastassem à medida que vão sendo ouvidos este ficaria em breve com uns bytes a menos. Mas não digo que disco é. Apenas que o título é adequado à época e o nome do grupo (sim, é um grupo) vem a calhar para um "blindfold test".

rias, "two days to go..."

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Tora Tora Big Band

É frequente eu gostar de ouvir "big bands". Claro que, como todos, ouvi vezes sem conta as orquestras da "swing era", depois as que se seguiram durante os anos da guerra, até ao esplendor das grandes orquestras dos anos 50 e 60, as que acompanhavam os nossos "crooners" favoritos e os filmes que se tornaram clássicos.

Escutadas as lições do básico, prefiro hoje ouvir as modernas "big bands", quer pelo repertório, quer pelo estilo e arranjos que escolhem.

Mas a maior parte das vezes fico-me mesmo por aquilo a que chamaria as "not so big bands", uma espécie de versões compactas e actualizadas das primeiras.

O estilo e os grupos a que me refiro devem muito ao acid-jazz da primeira metade dos anos 90 (p.ex. os americanos Groove Collective ou os holandeses New Cool Collective), com formações médias, assentes em poderosas secções rítmicas - frequentemente utilizando baixo eléctrico - e de sopros.

Deste estilo nada se fez em Portugal até ter surgido a Tora Tora Big Band, formada em 2001 com 12 músicos de 6 nacionalidades (Portugal, Brasil, Alemanha, EUA, Dinamarca e Itália) residentes em Portugal. Como os seus precursores, também estes obedecem ao mesmo padrão de instrumentos e de influências multiculturalistas.

Vale a pena conhecer o único disco, "Cult", lançado em 2007. Aqui há jazz, música latina, funk e world music.

Aqui ouve-se e dança-se.


sábado, 26 de julho de 2008

Amigos

É aproveitá-los bem porque ainda os há: temas destes, vozes destas, momentos assim.... e os amigos.

Trijntje Oosterhuis - "That's What Friends Are For"



E depois digam-me, como é que eu não hei-de continuar a gostar desta rapariga?

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Tarde de sol e banhos

Foi assim que a conheci, de forma inesperada mas perfeita, numa espreguiçadeira à beira de uma piscina, com vista para a praia, durante uma fantástica tarde atlântica de sol imenso e água.

Não estava no Rio de Janeiro, mas fez-me sentir mais perto dos trópicos.

E eu nestas coisas não resisto; quando não conheço, pergunto quem é. E assim foi, a pessoa que eu menos esperava para nos poder apresentar trouxe-me um disco chamado "
Moments Of Passion".

Ele há mesmo coisas que, não sendo perfeitas se tornam perfeitas, desde que estejam no tempo e no sítio certo.


Águas paradas (II)

(fj) 2006