daquilo que eu sei, no novo tempo, às vezes tudo é lindo, às vezes tudo engana, mas... apesar dos castigos, a vida pode ser maravilhosa. depois dos temporais, p’ra nos socorrer, a felicidade há de se espalhar, com toda intensidade. vai valer a pena ter amanhecido, ter sobrevivido. sem nevoeiros, tormentas, sequer um revés, depende de nós! desesperar jamais.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Desesperar Jamais
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quinta-feira, 10 de abril de 2008
Wild
Sei que ao sugerir estas duas audições estou a pisar terreno onde me movo com dificuldade. Quando comprei este cd fi-lo por influência de quem sabe mais do que eu. Não direi se as interpretações são boas ou más, apenas que gosto de Earl Wild a tocar as suas próprias transcrições de Gershwin.A longevidade da carreira de Wild é notável - nasceu em 1915 e em 2005 deu um recital no Carnegie Hall, o "90th birthday concert". Nada mau!
É conhecido tanto pelas suas transcrições de música clássica e de jazz como o é pelo seu virtuosismo. É reconhecido por quem sabe. Eu apenas gosto.
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saravá
Já lá vão quase duas semanas sem que tenha aqui dado conta do concerto que vi do Joel Xavier.O Joel tem novo disco – “saravá”! Embora a apresentação esteja marcada só para Maio, no Teatro da Trindade em Lisboa, ele já anda por aí, país afora, espalhando proactivamente a boa nova (ahh,... como eu gosto do jargão tecnocrático, dá-nos um ar sempre tão credível!).
Ao que interessa: o novo álbum e concerto assentam num trio: ele, armado de Gibson ES175, + um baixo 5 string fretless + uma bateria minimalista (ver comentários mais à frente). Como sugerido pelo título, todo o álbum é inspirado na música e ritmos brasileiros/africanos.
O Joel é simpático, toca bem, e sobre isso estamos esclarecidos. Já lhe comprei dois discos (destaque para Lusitano, com Richard Galliano) e para além das qualidades evidentes atestam a seu favor as colaborações abundantes com “pesos pesados” do jazz do mundo.
Através dos previews que tinha procurado antes do concerto tinha ficado já com uma ou duas impressões:
Impressão primeira: o Joel é rápido mas não deve (não precisa de) continuar a querer demonstrá-lo e a fazer disso cavalo de batalha. Até porque a rapidez dele é frequentemente trapalhona. Em tempos menos rápidos ou em notas que vão até às 1/16ths, tudo vai bem. A partir daí perde-se ele e, por arrasto, a definição das notas e o tino do discurso.
Impressão segunda: o Joel é rápido e tem um scat excelente. Mas é de notar como a beleza e a consistência do fraseado só se sentem verdadeiramente quando passa do solo simples para o solo+scat. Que diferença! Ao “cantar”, o discurso passa a ser bonito e consistente. Inesperado, mas com uma lógica construtiva.
Impressão extra: o Joel faz-se acompanhar por uma secção rítmica de brasileiros residentes em Portugal (mais uma). Se por um lado o baixista (Gustavo Roriz) me deixou indiferente, por outro é necessário lançar aqui um alerta acerca do baterista!
Este indivíduo – Milton Batera – requer toda a atenção e deve passar a ser vigiado de perto. Em primeiro lugar ele aparenta modéstia, recorrendo a um set de bateria minimalista: além do bombo, da tarola e dos pratos de choque, utiliza 1 tambor (um). De resto tem 2 pratos - 1 ride e 1 crash - mais um ou outro artefacto de percussão.
Mas não vos deixais iludir! Este homem sabe preencher a música com uma subtileza notável, ao mesmo tempo que, se necessário, se torna numa locomotiva, numa quase completa “bateria” de percussões de escola de samba.
Em resumo, concerto é sempre concerto, mas continuo a preferir o álbum Lusitano, agora enriquecido pela dedicatória do próprio Joel, aposta precisamente sobre a cara do pobre Galliano...
Continuo a lamentar não o ter visto no ano passado na Figueira, com o Ron Carter. Shame on me...
quarta-feira, 9 de abril de 2008
9 de Abril de 1860
Um grupo de investigadores deu-nos agora a possibilidade de ouvir o mais antigo registo sonoro conhecido. Esta gravação - se assim lhe podemos chamar - foi feita pelo francês Édouard-Léon Scott de Martinville através da utilização de um fonautógrafo, aparelho que ele próprio criou.O fonautógrafo - aparelho que conseguia gravar uma "imagem" do som mas não permitia a sua reprodução - era composto por uma campânula que captava o som e conduzia a vibração do ar até uma membrana. A esta ficava presa uma agulha cuja vibração resultante riscava então o negro de fumo depositado sobre a superfície de um cilindro rotativo - no fundo, uma espécie de "sismógrafo sonoro".
No dia 9 de Abril de 1860, Leon Scott registou a voz de alguém cantando "Au Clair de la Lune". Com o recurso a computadores, o que estes investigadores agora fizeram foi traduzir para som sintetizado as fotografias de alta resolução tiradas aos cilindros fumados que estão à guarda da Academia de Ciências em Paris.
Como referência aqui fica primeiro uma versão moderna de "Au Clair de la Lune" e depois esses 10 segundos históricos, agora tornados ''o primeiro som".terça-feira, 8 de abril de 2008
Fame
Formou o seu próprio grupo, os "The Blue Flames". Atingiu os topos das tabelas de vendas nos anos 60 e 70.Levantou a carreira depois dela cair e tocou com mais de meio-mundo. Daqueles com quem interessa tocar.
Durante uma década a fio participou nos álbuns de Van Morrison e tornou-se seu director musical. Quem se lembra dele, ou de "The Ballad of Bonnie and Clyde", ou de "Yeh Yeh"?
Numa gravação de 1998, Fame, Mr. Georgie Fame, no seu melhor!
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Prioridade ao amor
Agora não restam dúvidas, o aviso é claro. Vi-o ontem, está à vista de quem passa na N109!
(fj) Abril de 2008
(fj) Abril de 2008
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domingo, 6 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
Dunas
Venho por este meio confirmar que, apesar de tudo, tenho agora ainda mais razões para gostar da Ivete Sangalo (já tinha duas).
("eeehhh,... ficou lindo...!", diz ela no fim)
Sobre a Rosa Passos dispenso-me de comentários.
Dunas
Mês de março em Salvador
o verão está no fim.
Todo o mato está em flor
e eu me sinto num jardim
Quem sair do Abaeté
rumo à praia do Flamengo
não de carro mas a pé,
pelas dunas, mato a dentro
há de ver belezas tais
que mal dá pra descrever:
tem orquídeas, gravatás,
água limpa de beber
cavalinhas e teiús,
borboletas e besouros,
tem lagartos verdazuis
e raposas cor de ouro
Sem falar nos passarinhos,
centopéias e lacraus,
nas jibóias e nos ninhos
de urubus e bacuraus
Vejo orquídeas cor de rosas
entre flores amarelas
Dançam cores. Vão-se as horas
entre manchas de aquarela
Desce a tarde. Vem na brisa
um cheirinho de alecrim
Canta um grilo. Sinto a vida:
tudo está dentro de mim.
Mês de março em Salvador
o verão está no fim.
Todo o mato está em flor
e eu me sinto num jardim...
("eeehhh,... ficou lindo...!", diz ela no fim)
Sobre a Rosa Passos dispenso-me de comentários.
Dunas
Mês de março em Salvador
o verão está no fim.
Todo o mato está em flor
e eu me sinto num jardim
Quem sair do Abaeté
rumo à praia do Flamengo
não de carro mas a pé,
pelas dunas, mato a dentro
há de ver belezas tais
que mal dá pra descrever:
tem orquídeas, gravatás,
água limpa de beber
cavalinhas e teiús,
borboletas e besouros,
tem lagartos verdazuis
e raposas cor de ouro
Sem falar nos passarinhos,
centopéias e lacraus,
nas jibóias e nos ninhos
de urubus e bacuraus
Vejo orquídeas cor de rosas
entre flores amarelas
Dançam cores. Vão-se as horas
entre manchas de aquarela
Desce a tarde. Vem na brisa
um cheirinho de alecrim
Canta um grilo. Sinto a vida:
tudo está dentro de mim.
Mês de março em Salvador
o verão está no fim.
Todo o mato está em flor
e eu me sinto num jardim...
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Canto Nono
Há uns anos que não me canso de os recomendar. "O Porto a oito vozes" é um dos cd's que mantenho bem guardados, arma secreta que uso quando preciso de tirar vantagem do factor surpresa.Em 2004, a CASA (Contemporary A Cappella Society) premiou os Canto Nono e a interpretação de "Etelvina” (de Sérgio Godinho, com arranjo vocal de José Mário Branco) com um dos “2004 Contemporary A cappella Recording Awards” na categoria “Best jazz song” (enfim, 'best song' talvez, mas jazz é que não).
Os Canto Nono existem desde 1992, trabalharam com Ward Swingle, 'himself', mas a verdade é que poucos de nós ouvimos falar deles e deste prémio. "O Porto a oito vozes" é um disco brilhante, gravado ao vivo durante o Porto 2001 - Capital Europeia da Cultura. É comprar, é comprar... se o encontrarem!
Aqui fica essa tal Etelvina.
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terça-feira, 1 de abril de 2008
segunda-feira, 31 de março de 2008
j’azzeri
Vagif Mustafa Zadeh nasceu em 1940 em Baku, no Azerbeijão. Cedo gostou de jazz e cedo o procurou nas emissões da BBC e da “Voice Of America”. É que nos anos do pós-guerra o jazz era tido por ali como a “música dos capitalistas” (interessante, como as interpretações do mesmo facto variam ao sabor da ideologia: Hitler tinha antes chamado ao jazz “música de pretos”).Desafiando o regime e as suas restrições, Vagif afirmou-se como músico e compositor de jazz, criando um estilo baseado na fusão com a música tradicional improvisada do Azerbeijão – o mugham.
Em 1978 ganhou o “Monte Carlo Jazz Competition Festival”, com a sua composição “Waiting for Aziza” (a sua filha nascida em 1969).
Em 1979 morreu, no palco, aos 39 anos.Para além do legado musical - só conhecido no exterior após a separação do Azerbeijão da ex-União Soviética - Vagif deixou uma filha, pianista como ele.
Aziza Mustafa Zadeh segue as pisadas do pai e, após ter vencido em Washington o prémio Thelonious Monk, passou a viver na Alemanha e a prosseguir a sua carreira a partir daí.
Exótica, surpreendente, exímia em sensibilidade e virtuosismo, grava e toca com os maiores do jazz.
Outra coisa, não menos importante: Aziza faz sempre questão de relembrar o pai e de lhe prestar tributo. Fica bem a quem tem talento.
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Cerulean Skies
Comprei-lhe o mais recente disco que editou ("Sky Blue") e, por causa disso, passou a mandar-me newsletters e e-mails com passwords de acesso a áreas restritas, dizendo-me que é graças a nós, os que lhe compramos discos, que ela continua a poder gravar e editar.De facto assim é. Foi uma das primeiras a optar pela via da ArtistShare para a edição própria e venda online e, desta forma, levou o seu disco anterior, "Concert in the Garden", a ganhar um grammy e o título de "Jazz Album of the Year" dos Jazz Journalists Awards e da downbeat Critics Poll. Sem um único exemplar vendido numa loja.
Maria Schneider mandou-me agora outro e-mail, a anunciar-me que "Cerulean Skies", do novo "Sky Blue", ganhou o grammy na categoria de "Best Instrumental Composition". Para além disso, "Sky Blue" já ganhou o Village Voice Critics Poll para "Jazz Album of the Year" e a downbeat deu-lhe 5 estrelas - cinco!

Fico satisfeito. Ouço boa música, não dou o dinheiro por mal gasto e com pouco mais de 20 euros até faço de conta que sou mecenas!
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