domingo, 19 de outubro de 2014
sexta-feira, 3 de maio de 2013
The Silence of Dogs in Cars
Around the same age I began to feel a deep affinity with animals – in particular their plight at the hands of humans.
(...)
(...) aqui
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Ruins of Detroit
Este é um livro acerca de ruínas. Não daquelas a que nos habituámos, antigas e assentes em séculos de história. São ruínas do nosso tempo, surgidas durante a segunda metade do século XX e continuadas no século XXI. São ruínas que, por serem contemporâneas, perturbam mais ainda.
Este é um livro que resulta de várias visitas a Detroit feitas entre 2005 e 2010 por dois fotógrafos franceses, Yves Marchand e Romain Meffre, e mostra o declínio de uma cidade (ou de uma sociedade?) dos nossos dias, no país mais poderoso do planeta.
Detroit passou do esplendor de uma metrópole alimentada pelo crescimento explosivo da indústria automóvel (foi ali que Henry Ford estabeleceu a primeira linha de montagem de automóveis), a um estado de desintegração social e urbana resultante de factores sociais e económicos diversos – tensão social, conflitos raciais, êxodo da classe média branca do centro para a periferia, concorrência da indústria automóvel a partir do exterior, e o envio de boa parte da base produtiva e laboral para locais de trabalho barato fora dos Estados Unidos da América.
Somando a estes factores as recentes crises financeiras e de imobiliário, Detroit transformou-se num tecido social e urbano esfarrapado, uma cidade mais perigosa, com mais desemprego e onde agora, no meio de baldios e subúrbios em ruínas, cresce uma urban prairie do midwest americano.
O abandono do centro da cidade por parte das classes com meios para o fazer deixou o coração de Detroit transformado num terreno de sobrevivência precária, à mercê do caos, praticamente desprovido de infra-estruturas cívicas. Segundo Thomas J. Sugrue, que escreveu acerca da decadência e das origens da crise urbana em Detroit, "Even grocery stores and supermarkets disappeared from the city (...)". "By the first decade of the 21st century, observers described Detroit as 'a food desert' – a place without even a single, well-stocked supermarket within its boundaries."
O espanto inicial de Marchand e Meffre ao visitar em pleno centro de Detroit ruínas de edifícios outrora esplendorosos, tornou-se maior ainda ao verificar que boa parte dos recheios foi simplesmente deixada para trás. À excepção do que entretanto foi roubado ou vandalizado, aquilo que antigamente enchia escritórios, escolas, igrejas, bibliotecas, organismos públicos e bancos, encontra-se lá, deixado a apodrecer.
Este livro chama-se "The Ruins of Detroit" e as suas fotos mostram-nos aquilo que, nas palavras dos autores, são “archetypal buildings of an American city in a state of mummification”.
Imagens que sugerem outros cenários pós-apocalípticos, uma outra Chernobyl ou um outro Katrina. Retratos do fim de um certo império?
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Um olhar profundo
Na altura em que o Google nos recorda a passagem de 115 anos sobre a descoberta dos Raios-X feita em 1895 por Wilhelm Röntgen (facto que lhe valeu a atribuição do primeiro Prémio Nobel da Física da história, em 1901), vale a pena reparar no trabalho de Nick Veasey, fotógrafo inglês nascido em 1962.Recorrendo a equipamentos de Raios-X hospitalares, industriais e até militares, Veasey prefere fotografar “através de”, em vez de registar apenas o visível. Mas, para além deste aspecto já de si peculiar, uma boa parte dos objectos que ele escolhe para fotografar são de dimensões que variam desde o apreciável até ao enorme – incluindo um prédio ou mesmo um Boeing 777 (nestes casos ele recorre, obviamente, à montagem digital de centenas de “chapas” individuais).
É um trabalho esteticamente interessante e obviamente apelativo – a publicidade, claro, é um dos seus alvos preferenciais – e que, segundo o próprio Veasey, parece não ter limite. Diz ele: “Please God let me loose in The Museum of Natural History. Or give me Access to All Areas at NASA.”
Que música preferirá ele ouvir enquanto trabalha – "I've Got You Under My Skin"?
quarta-feira, 21 de abril de 2010
Brasília, 50 anos depois de 21 de Abril de 1960
Brasília, antes.
Marcel Gautherot, 1959
Marcel Gautherot, 1958
Marcel Gautherot, 1958
Brasília, depois.
Marcel Gautherot, 1964
Marcel Gautherot, 1962
Marcel Gautherot, 1962
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Manufactured Landscapes
Na altura em que decorre em Copenhaga a Cimeira da ONU sobre alterações climáticas foi através de uma coincidência oportuna que conheci o trabalho do fotógrafo canadiano Edward Burtynsky. Apesar de serem dois temas distintos, estes têm, apesar disso, uma ligação que vem do facto de Burtynsky fotografar indústrias e obras de (muito) larga escala, das quais revela não apenas o seu gigantismo mas também o grotesco e a dimensão das suas consequências.
A fotografia documental de Burtynsky valeu-lhe já em 2005 a atribuição de um prémio TED. O seu trabalho, apropriadamente realizado em grande formato, está focado em actividades capazes de transformar as paisagens natural e humana, como são os casos das indústrias de manufactura em larga escala, da construção pesada, da extracção ou da reciclagem.
Foi em busca destes aspectos que Edward Burtynsky viajou em 2005 pela China e Bangladesh, visitando fábricas, aterros, estaleiros navais, obras e sucatas. Desta viagem resultou 'Manufactured Landscapes', um documentário realizado pela também canadiana Jennifer Baichwal, que acompanhou e registou o trabalho do fotógrafo.
"Manufacturing #18", Cankun Factory, Zhangzhou, China
Em ‘Manufactured Landscapes’, a dimensão dos objectos retratados, o olhar demorado da câmara e os comentários em voz off de Burtynsky são propícios à meditação. O plano inicial, por exemplo – um imenso travelling ao longo de linhas de montagem de uma fábrica de produtos eléctricos na China, na qual trabalham cerca de 17000 pessoas – demora quase 8 minutos!
"Manufacturing #17", Deda Chicken Processing Plant, Dehui City, China
Para além da dimensão estética e do impacto visual, estes dois trabalhos reunidos num só – a fotografia e o documentário – levam-nos a reflectir acerca das implicações das duas últimas décadas de industrialização e de globalização.
"Nanpu Bridge Interchange", Shanghai, China
Dá que pensar o testemunhar da realidade de adultos e crianças envolvidos na escolha de sucata, no desmantelamento de navios, ou na extracção de metais pesados e componentes do chamado “e-waste” – o lixo electrónico dos aparelhos que usamos, entre os quais estão os 50% de computadores de todo o mundo que voltam para a China para serem (mal) reciclados.
"Shipbreaking No. 30", Chittagong, Bangladesh
Dá que pensar a forma como na Ásia é feita – e como é paga – a produção de milhões de artigos de todo o tipo (como, por exemplo, os mais de 75% por cento dos brinquedos ou os 90% de decorações natalícias de todo o mundo que são feitos na China!).
Dá que pensar porque é que as corporações, empresas e governos ocidentais continuam a deslocalizar fábricas, não apenas porque nesses locais se produz barato, mas também porque nesses sítios se polui – e literalmente mata – “de borla”.

"Bao Steel #8", Shanghai, China
É útil ver este documentário e encarar algo que muitos de nós desconhecemos ou apenas subestimamos. Porque "Manufactured Landscapes" nos faz reflectir nos ciclos económicos e, logo, nos ciclos sociais e demográficos que esta realidade já nos impôs.
Uma realidade que, apesar de mal a conhecermos, está a moldar o nosso futuro.
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Transvoid
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Classics In Lego
Quem não se lembra disto?Henri Cartier-Bresson
Behind the Gare Saint-Lazare (1932)
Disto?Eddie Adams
Execution of a Viet Cong prisoner in Saigon (1968)
Ou disto?Robert Capa
D-Day Landings (1944)
Evidentemente, clássicos da fotografia do século XX que se transformaram em ícones.
E agora, que tal estas, para variar?
"Classics In Lego" é um projecto de Mike Stimpson, no qual ele recria as fotos mais emblemáticas dos grandes fotógrafos do século XX... em Lego!
Originalíssimo, brilhante, e que deve ser de um gozo irresistível.

Também a não perder, aqui, mais fotos e detalhes acerca dos "setups" de cada uma delas.









































