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domingo, 1 de janeiro de 2012

Bem vindo/a a 2012

"Try to relax and enjoy the crisis."
 - Ashleigh Brilliant

domingo, 23 de outubro de 2011

Não desistir, por Portugal

Enquanto vou ali ao lado, à Alemanha, deixo-vos com isto. Vou a pensar nisto.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Efeitos colossais


Pensei hoje nisto. Deviam ser emitidos alertas sobre os riscos da exposição ao Ministro das Finanças. Em mim, por exemplo, tem efeitos contraditórios e que não devem fazer nada bem.

Quando fala quase me adormece, mas o que ele diz tira-me o sono.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Atenção, muita atenção!

(clicar para ampliar)


Enquanto na rua se avoluma o movimento "Occupy Wall Street", cresce o número de pessoas que testemunham a sua condição no site "We Are The 99 Percent". São americanos e apresentam-se assim:

"We are working long hours for little pay and no rights, if we're working at all. We are getting nothing while the other 1 percent is getting everything. We are the 99 percent."

Soa familiar, não soa? Vale a pena ir aí e ver pessoas como nós, com ilusões desfeitas e projectos interrompidos. E vidas que não estão paradas - na verdade estão a recuar. Como nós.

Será este o sinal de uma nova luta de classes ou de uma nova "primavera"? Isso irá depender de factores imprevisíveis, mas também daquilo que todos nos decidirmos a fazer.

O futuro e a necessidade de fazer algo estão aí, muito próximos. Cada vez mais próximos.

We are the 99 percent.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Revista de imprensa






Estas são capas dos jornais de ontem num qualquer aeroporto da Europa.

Essa Europa que se deixa definhar e que é incapaz de evitar que outros definhem.

No regresso a casa é impossível não pensar noutro destino, um que fique mais longe destes lugares doentes.

domingo, 10 de abril de 2011

Ser ou não ser

 
Eis a questão:

Foi rejeitada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu (402 votos contra, 216 a favor e 56 abstenções) uma emenda proposta por Miguel Portas defendendo a alteração de critérios de viagens, fazendo com que deslocações aéreas inferiores a quatro horas passassem a ser efectuadas em classe económica (notícia de 8 de Abril).

Para que conste:

Nove eurodeputados portugueses votaram a favor do fim das viagens aéreas em executiva:

- Os três deputados do Bloco de Esquerda (Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares);
- Os dois deputados da CDU (Ilda Figueiredo e João Ferreira);
- Quatro eurodeputados do PS (Luís Paulo Alves, Elisa Ferreira, Ana Gomes e Vital Moreira).

A favor da continuação das regalias de voos em executiva:

- Sete eurodeputados do PSD (José Manuel Fernandes, Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira);
- Dois eurodeputados socialistas (Luís Manuel Capoulas Santos e António Fernando Correia de Campos).

A eurodeputada socialista Edite Estrela absteve-se e a social-democrata Maria da Graça Carvalho e os dois eurodeputados do CDS-PP, Nuno Melo e Diogo Feio, faltaram à votação.

Moral...?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Este tempo

Ouvi e dou a ouvir. Não me interessa quem é. Gostei.

Vale a pena relembrar coisas de que aqui se fala e ouvir falar delas agora, neste tempo. Gostei.

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segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ruins of Detroit

Packard Motors Plant

Este é um livro acerca de ruínas. Não daquelas a que nos habituámos, antigas e assentes em séculos de história. São ruínas do nosso tempo, surgidas durante a segunda metade do século XX e continuadas no século XXI. São ruínas que, por serem contemporâneas, perturbam mais ainda.

Ballroom, Lee Plaza Hotel

Ballroom, American Hotel

Este é um livro que resulta de várias visitas a Detroit feitas entre 2005 e 2010 por dois fotógrafos franceses, Yves Marchand e Romain Meffre, e mostra o declínio de uma cidade (ou de uma sociedade?) dos nossos dias, no país mais poderoso do planeta.

Michigan Central Station

Detroit passou do esplendor de uma metrópole alimentada pelo crescimento explosivo da indústria automóvel (foi ali que Henry Ford estabeleceu a primeira linha de montagem de automóveis), a um estado de desintegração social e urbana resultante de factores sociais e económicos diversos – tensão social, conflitos raciais, êxodo da classe média branca do centro para a periferia, concorrência da indústria automóvel a partir do exterior, e o envio de boa parte da base produtiva e laboral para locais de trabalho barato fora dos Estados Unidos da América.

United Artists Theater

Somando a estes factores as recentes crises financeiras e de imobiliário, Detroit transformou-se num tecido social e urbano esfarrapado, uma cidade mais perigosa, com mais desemprego e onde agora, no meio de baldios e subúrbios em ruínas, cresce uma urban prairie do midwest americano.

William Livingstone House

O abandono do centro da cidade por parte das classes com meios para o fazer deixou o coração de Detroit transformado num terreno de sobrevivência precária, à mercê do caos, praticamente desprovido de infra-estruturas cívicas. Segundo Thomas J. Sugrue, que escreveu acerca da decadência e das origens da crise urbana em Detroit, "Even grocery stores and supermarkets disappeared from the city (...)". "By the first decade of the 21st century, observers described Detroit as 'a food desert' – a place without even a single, well-stocked supermarket within its boundaries."

Woodward Avenue Presbyterian Church

Dentist Cabinet, Broderick Tower

 
East Side Public Library

O espanto inicial de Marchand e Meffre ao visitar em pleno centro de Detroit ruínas de edifícios outrora esplendorosos, tornou-se maior ainda ao verificar que boa parte dos recheios foi simplesmente deixada para trás. À excepção do que entretanto foi roubado ou vandalizado, aquilo que antigamente enchia escritórios, escolas, igrejas, bibliotecas, organismos públicos e bancos, encontra-se lá, deixado a apodrecer.

 Highland Park police station

National Bank of Detroit

Vanity Ballroom

Este livro chama-se "The Ruins of Detroit" e as suas fotos mostram-nos aquilo que, nas palavras dos autores, são “archetypal buildings of an American city in a state of mummification”.

Imagens que sugerem outros cenários pós-apocalípticos, uma outra Chernobyl ou um outro Katrina. Retratos do fim de um certo império?

Woodward Avenue from the Broderick Tower

domingo, 9 de maio de 2010

FAT

O artigo de Paul Krugman publicado no New York Times no passado dia 22 de Abril diz de forma clara e despudorada muito do que por aí se ouve. E aquilo que o senso comum conversa à mesa do café, fica brilhante nas palavras de um Nobel da Economia.

(traduzi, porque importa ser lido, por todos)

"Don’t Cry for Wall Street
Paul Krugman, The New York Times
Abril 22, 2010

Na quinta-feira passada o presidente Obama esteve em Manhattan, onde pediu apoio para a reforma financeira a uma audiência formada em grande parte por pessoas da Wall Street. "Eu acredito", declarou ele, "que estas reformas serão, no final, não apenas do interesse do nosso país, mas também do interesse do sector financeiro."

Bom, eu gostaria que ele não o tivesse dito não apenas porque na verdade ele precisa, por uma questão política, de tomar uma atitude populista, de criar publicamente alguma distância entre ele e os banqueiros. A verdade é que Obama deveria tentar fazer o que é mais correcto para o país ponto final. Se ao fazê-lo ele acabar por ferir os banqueiros, tudo bem.

Mais do que isso, a reforma deve ferir os banqueiros. Um número crescente de analistas sugere que uma indústria financeira sobredimensionada está a afectar a economia em geral. Reduzir o tamanho dessa indústria não vai fazer Wall Street feliz, mas o que é mau para a Wall Street seria bom para a América.

As reformas que estão agora sobre a mesa e que eu apoio podem acabar por ser boas para a indústria financeira, bem como para todos nós. Mas isso é assim porque elas apenas lidam com uma parte do problema: eles tornariam a finança mais segura, mas poderiam não a tornar mais pequena.

Qual é o problema das finanças? Comecemos pelo facto de a indústria financeira moderna gerar enormes lucros e remunerações, apesar de produzir poucos benefícios tangíveis.

Lembram-se do filme "Wall Street", de 1987, no qual Gordon Gekko declarava: a ganância é boa? Pelos padrões actuais, Gekko seria apenas um modesto e cauteloso jogador na bolsa. Nos anos que antecederam a crise de 2008 o sector financeiro foi responsável por um terço do total dos lucros internos – cerca do dobro do que era duas décadas antes.

Esses lucros justificavam-se, tal como me foi dito, porque a indústria financeira estava a fazer muito pela economia. Estava a canalizar capital para usos produtivos; estava a dispersar o risco; estava a reforçar a estabilidade financeira. Nada disto era verdade. O capital foi canalizado não para a criação de empregos inovadores, mas para uma bolha imobiliária insustentável; o risco concentrou-se, em vez de ter sido distribuído; e, quando a bolha imobiliária rebentou, o supostamente estável sistema financeiro implodiu, resultando como dano colateral a pior recessão global desde a Grande Depressão.

Então, porque é que os banqueiros estavam a amealhar? A minha opinião, reflectindo os esforços de economistas financeiros para dar um sentido à catástrofe, é que se tratava afinal de jogar com o dinheiro de outros. O sector financeiro fez grandes e arriscadas apostas com fundos emprestados apostas que pagaram altos rendimentos até ficarem em má situação mas conseguia obter dinheiro barato porque os investidores não entendiam quão frágil era a indústria financeira.

E quanto aos tão propalados benefícios da inovação financeira? Eu concordo com os economistas Andrei Shleifer e Vishny Robert, que defendem num artigo recente que muita dessa inovação consistia em criar a ilusão da segurança, proporcionando aos investidores “falsos substitutos” para activos fora de moda, tais como os depósitos bancários. A ilusão (a magia) acabou por falhar – e o resultado foi uma crise financeira desastrosa.

A propósito, no seu discurso de quinta-feira Obama insistiu – por duas vezes que a reforma financeira não inibirá a inovação. Infelizmente.

E eis o que se está a passar: após sofrer um forte golpe na sequência da crise, os lucros do sector financeiro estão novamente a subir. Parece muitíssimo provável que a indústria financeira em breve vá voltar a jogar os mesmos jogos que, em primeiro lugar, nos meteram nesta embrulhada.

Então, o que fazer? Como eu disse, eu apoio as propostas de reforma da administração Obama e dos seus aliados no Congresso. Entre outras coisas, seria uma vergonha ver a campanha anti-reforma dos líderes republicanos uma campanha marcada por uma desonestidade e hipocrisia de tirar o fôlego – tornar-se bem sucedida.

Mas essas reformas devem ser apenas o primeiro passo. Precisamos também de reduzir o tamanho da finança.

E não são apenas críticos de fora a dizê-lo (não que haja algo errado com os críticos de fora, os quais têm tido muitas vezes mais razão do que os supostos conhecedores; ver Greenspan, Alan). Uma proposta interessante está prestes a ser revelada, com origem, nem mais nem menos, no Fundo Monetário Internacional. Num documento passado para o exterior, preparado para uma reunião deste fim-de-semana, o Fundo apela a uma taxa sobre a actividade financeira (Financial Activity Tax) sim, FAT – a qual incidiria sobre os lucros e remunerações da indústria financeira.

Tal imposto, alega o Fundo, poderia "mitigar a tomada de riscos excessivos." Poderia também "levar a reduzir a dimensão do sector financeiro", o que é apresentado pelo Fundo como algo de bom.

Na verdade, a proposta do Fundo Monetário Internacional é até bastante leve. No entanto, se ela vier a tornar-se realidade, Wall Street vai uivar.

O facto é que nós temos vindo a dedicar uma fatia demasiadamente grande da nossa riqueza, demasiado talento do nosso País, à actividade de conceber e “tramar” complexos esquemas financeiros – esquemas que têm uma tendência para fazer rebentar a economia. Acabar com este estado de coisas irá prejudicar o sector financeiro. E então?"

sábado, 20 de dezembro de 2008

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Merry-Go-Round

As bolsas estão novamente a afundar. O Nikkei caíu a pique, o que fará com que os índices europeus sejam arrastados logo na abertura das bolsas, o que por seu lado virá a reflectir-se mais logo no fecho do Dow Jones.

E amanhã será outro dia, provavelmente marcado nas bolsas asiáticas pelas perdas de ontem, que aliás ainda é “hoje” nas bolsas europeias e é “mais logo” na Wall Street.

Podemos tentar encontrar várias explicações para as interligações e o funcionamento do mercado de acções, mas talvez esta acabe por ser a mais elucidativa:

Estava-se no Outono e, os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo Chefe se o Inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave. Tratando-se de um Chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe permitissem prever o tempo, no entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um Inverno frio.

Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou: "O próximo Inverno vai ser frio?" – "Parece que na realidade este Inverno vai ser mesmo frio" respondeu o meteorologista de serviço.

O Chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico: "Vai ser um Inverno muito frio?" "Sim," responderam novamente do outro lado, "O Inverno vai ser mesmo muito frio".

Mais uma vez o Chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem, sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas. Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional: "Vocês têm a certeza que este Inverno vai ser mesmo muito frio?" "Absolutamente" respondeu o homem "Vai ser um dos Invernos mais frios de sempre."

"Como podem ter tanto a certeza?" perguntou o Chefe. O meteorologista respondeu "Os Índios estão a aprovisionar lenha que parecem uns doidos."

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Aforismos

Nos tempos que correm, não resisto a esta (encontrada na página de entrada de hoje do iGoogle).

The only function of economic forecasting is to make astrology look respectable. - John Kenneth Galbraith