Quando, em 1964, Horace Silver - haverá nome mais português do que este? - escreveu o tema "Song for My Father", dedicado ao pai, John Tavares Silva, seria impossível ele supor que viesse a aparecer um arranjo como aquele que Edward Simon, pianista do SFJazz Collective, fez para o tema.
Foi exactamente a obra de Horace Silver que o SFJazz Collective escolheu para tema do disco e da tournée de 2010.
Independentemente do repertório anualmente renovado e dos grandes nomes do jazz sobre os quais a escolha da temática inevitavelmente recai - Ornette Coleman (2004), John Coltrane (2005), Herbie Hancock (2006), Thelonious Monk (2007), Wayne Shorter (2008), McCoy Tyner (2009) - , a simples junção de músicos do calibre de Miguel Zenón (sax alto, e mentor do projecto), Avishai Cohen (trompete), Mark Turner (sax tenor), Robin Eubanks (trombone), Stefon Harris (vibraphone), para além da secção rítmica composta por Edward Simon (piano), Matt Penman (contrabaixo) e Erik Harland (bateria), é em si mesma a garantia de jazz de altíssimo nível.
É exactamente aquilo que se pode testemunhar neste tema, ao longo de mais de 13 minutos (infelizmente truncado nos últimos segundos). Um superior arranjo de metais, na tradição hard-bop de que Horace Silver foi progenitor, com a introdução de harmonias em cânone. A ideia de uma distensão do tempo e a utilização de um padrão rítmico irregular (face ao compasso regular de 4/4 do original).
Existe ao longo do tema um tapete harmónico de fundo, sustentado pelo piano numa espécie de ostinato new-age que define o estado de espírito desta versão. Apesar disso, ouve-se aqui de tudo - hard-bop, calipso, salsa e, claro, as harmonias de Cabo Verde.
O álbum "Live 2010: 7th Annual Concert Tour" é uma bíblia do jazz moderno, composto por 3 CD's, com temas gravados ao vivo desde os EUA, Alemanha, Áustria, França, Espanha, Holanda, Itália, Suécia e Portugal (o concerto da Casa da Música e um ensaio aberto ao público na Universidade Lusíada em Lisboa).
Altamente recomendado!
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domingo, 28 de novembro de 2010
sábado, 13 de setembro de 2008
"It's a terrific band, and if you haven't caught it yet, dig it soon"
Não sou eu que o digo, é o veterano Med Flory, acerca desta "not so big band". Na verdade, um decateto. Coesão, criatividade, bom gosto, é o que tem o Phil Norman Tentet.
Ah, pois, e também alguns dos melhores músicos de Los Angeles.
Enquanto não se encontra por aí, fiquemos com este Autumn Leaves.
Ah, pois, e também alguns dos melhores músicos de Los Angeles.
Enquanto não se encontra por aí, fiquemos com este Autumn Leaves.
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phil norman tentet
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Fúria latina
O clássico “Sweet Georgia Brown”, abordado por uma “not so big band” liderada pelo jamaicano Monty Alexander.Participações especiais de Anthony Jackson no baixo eléctrico (logo ao início do tema, em duelos fulminantes com o contrabaixo de Ira Coleman) e Steve Ferrone na bateria.
Autêntica fúria do Caribe.
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segunda-feira, 28 de julho de 2008
Tora Tora Big Band
É frequente eu gostar de ouvir "big bands". Claro que, como todos, ouvi vezes sem conta as orquestras da "swing era", depois as que se seguiram durante os anos da guerra, até ao esplendor das grandes orquestras dos anos 50 e 60, as que acompanhavam os nossos "crooners" favoritos e os filmes que se tornaram clássicos.
Escutadas as lições do básico, prefiro hoje ouvir as modernas "big bands", quer pelo repertório, quer pelo estilo e arranjos que escolhem.
Mas a maior parte das vezes fico-me mesmo por aquilo a que chamaria as "not so big bands", uma espécie de versões compactas e actualizadas das primeiras.
O estilo e os grupos a que me refiro devem muito ao acid-jazz da primeira metade dos anos 90 (p.ex. os americanos Groove Collective ou os holandeses New Cool Collective), com formações médias, assentes em poderosas secções rítmicas - frequentemente utilizando baixo eléctrico - e de sopros.
Vale a pena conhecer o único disco, "Cult", lançado em 2007. Aqui há jazz, música latina, funk e world music.
Aqui ouve-se e dança-se.
Escutadas as lições do básico, prefiro hoje ouvir as modernas "big bands", quer pelo repertório, quer pelo estilo e arranjos que escolhem.
Mas a maior parte das vezes fico-me mesmo por aquilo a que chamaria as "not so big bands", uma espécie de versões compactas e actualizadas das primeiras.
O estilo e os grupos a que me refiro devem muito ao acid-jazz da primeira metade dos anos 90 (p.ex. os americanos Groove Collective ou os holandeses New Cool Collective), com formações médias, assentes em poderosas secções rítmicas - frequentemente utilizando baixo eléctrico - e de sopros.
Deste estilo nada se fez em Portugal até ter surgido a Tora Tora Big Band, formada em 2001 com 12 músicos de 6 nacionalidades (Portugal, Brasil, Alemanha, EUA, Dinamarca e Itália) residentes em Portugal. Como os seus precursores, também estes obedecem ao mesmo padrão de instrumentos e de influências multiculturalistas.
Vale a pena conhecer o único disco, "Cult", lançado em 2007. Aqui há jazz, música latina, funk e world music.
Aqui ouve-se e dança-se.
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